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Erre tenta descrever o mundo

Sapatos

É difícil entender quem é Erre. Erre é humano. É muitos, ainda que em geral, não seja mais do que um. Erre tem uma necessidade desesperada de observar, mas não só de observar. De falar, mas não só de falar. Erre precisa fazer com que o mundo entre para dentro de si para que, então, e somente então, ele possa devolvê-lo ao mundo, não exatamente como era antes, mas tampouco como alguma coisa completamente diferente. Erre quer que o mundo tenha nele algo de si. E quer, em si, algo do mundo.

Não pretendo fazer disso algum tipo de odisséia, mas admito que não sei muito bem aonde irei parar com Erre. Creio que enquanto Erre for vendo e falando sobre as coisas do mundo, do seu mundo, eu o irei acompanhando, trazendo o que eu puder de Erre para dentro, de mim, e destas páginas, que também sou eu.

A tarefa de Erre, de qualquer forma, é árdua. Erre está em Brasília, mas não só em Brasília. Ninguém vive mais de um único lugar hoje em dia, de modo que Erre é espalhado. E também não sabe viver de um único tempo, e se atrasa e se adianta de acordo com as circunstâncias. Tal qual um relógio pouco sutil, que se perde nos anos, e não, nos segundos.

Não sei o que irá acontecer com Erre no agora em diante em que dou a ele este mundo. Mas como todo mundo, este também tem seus começos, meios, e fins. O resto, descobrirei com o tempo.

Por agora, invento um prefácio para que o leitor sinta-se mais à vontade no terreno em que começa a pisar. Seu relevo é pouco imprevisível, vale lembrar, de modo que todo sapato é pouco.

De todo modo, seja bem-vindo, afinal, ao mundo, de Erre.

 

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